a cidade é tela de sua própria arte
os prédios, a minha vista remedia
tuas curvas, encostas, favelas: poesia de entardecer púrpuro
os instantes, diante a ponte que tudo presencia
Sou um porto, aéreo à melancolia
Que me visita toda noite fria
Sou um pouso forçado ao futuro
Os teus rios de janeiro a abril
Dezembra em pleno fevereiro um sentimento tardio
Assola em meu peito ser o que partiu
E o que a ponte traz
Separa o que fui
E o que não sei o que serei
Sérgio Loureiro