O amor não é coisa direita.
É revolucionário.
E por assim ser, é um tanto quanto torto.
É um maluco desenfreado
praticante da partilha social, igualitária e justa.
“Amor para todos”
estende em cartazes.
Manifesta sua simples vontade de ser,
ou de permitir ser simples.
É defensor de todo e qualquer sujeito de classe trabalhadora.
Aquele que sua a camisa, corre atrás de amar
E no fim do dia, já cansado de mais uma exploração cotidiana,
senta-se à poltrona,
ergue seus pés sobre a pequena mesa,
abre um vinho, como um bom proletário de gosto burguês faria,
e olha para o teto, até que seus olhos se fechem para a realidade
e lhe permitam fazer o mesmo no dia seguinte.
O amor veste vermelho.
Mas jura ser bem lavado.
De alma limpa, e por vezes ingênua,
que se nega ceder aos calos da vida,
permanece sensível e doce.
E se for preciso, pega em armas.
Atira para todos os lados
em legítima defesa
de acertar um coração vago, vadio e preenchê-lo.
O amor tem as mais belas das intenções.
Mas por vezes pensa só em si, é verdade.
Mas quem não o faria depois de tanto desmérito?
O amor é sujeito incorrigível.
Um sujeito simples com sua oração
Não faz predicados
nem tampouco prejudicados.
É vívido em qualquer língua sedenta
E ampara a sua em céus de bocas estrelados.
O amor, certa feita, veio me dizer
das sua lamúrias e descrença consigo mesmo.
Sente falta do romantismo de boteco,
dos amassos no carro quebrado sob o luar,
dos romances em programas baratos que dinheiro nenhum pode pagar.
Portanto, não me venha com seus batons sofisticados.
Quero seus lábios carnudos em pele veludo.
Quero seu corpo desnudo na rede de singular bordado.
Quero tuas coxas, em pares, no meu colo entrelaçado.
E ai de mim ser contra o amor.
Por puro luxo, esmera ilusão
de quem um dia espera cair do céu, levar ao chão
Um tolo ávido por uma paixão.
Até eu, que outrora flertara com a esquerda,
hoje, segundo os conceitos modernos,
sou um homem de amor direito.
Sérgio Loureiro