sinto que já passei por aqui. seus olhos vermelhos me apontaram o caminho que não tem volta. o vazio me enche. o odor da dor me entope as narinas. insustentável. como o poema que pretendia escrever, mas adiei por só pensar em você. fomos tanto em tão pouco. ou somente eu fui?
recorro aos sinos tibetanos em busca de paz. maldita perseguição de tudo que me leva ao outro lado do mundo. tenho recorrido a meios inescrupulosos para alcançar fins divinos. maldita concessão. como a tese que pretendia elaborar, mas adiei por só pensar em você. refletimos tanto em tão pouco. ou somente eu refleti?
e se nesse mundo de imagens meramente ilustrativas, rostos simpáticos, gente oferecida, fora no seu olhar seco, nas suas palavras medidas, no seu pragmatismo que eu encontrei a paz sem o Tibete ou a Bahia? como a viagem que eu pretendia fazer, mas adiei por só pensar em você. criamos tanto em tão pouco. ou somente eu criei?
agora me resta um fio vermelho de lembrança sobre a cama. e a memória dos seus olhos vermelhos. e meu coração que se vestiu de luto. e seus lábios que se foram súbito. meu desespero de causa disfarça a melancolia e o medo. como minha insegurança pretendia temer, mas adiei ao pensar em você. sentimos tanto em tão pouco. e nada disso foi só em mim.
e adivinha. a ruminância rima com insegurança. e a tinta em que escrevo, sangra.
Sérgio Loureiro