salmos vazios

Pai, eu tenho medo
De nunca mais ser o mesmo
De me perder em erros
E quem sabe
Ser errante ao esmo.

É que agora nada faz sentido
Eu tenho me encontrado perdido
Minha casa tornou-se mero esconderijo
E já não te vejo comigo, ó Pai.

Para onde tu fostes, Pai? Não consigo te ouvir
Será que te buscam aí como te busquei?
Sentes frio como sinto sem teu afago?
Morres sozinho na sarjeta clamando por um trago que aqueça sua chama derradeira?

Por que me tirastes do Rio que circundava meu ser?
E todos sentidos que, um dia, julguei ter
E as palavras que me guiavam na escuridão do silêncio
Já não se encontram faz tempo.

Um gole de vida me apetece
Me parece o elixir
Entre o que padece e o que está por vir.

No ventre, a boca do estômago está seca, sedenta
A fonte transbordou
E agora todos veem meus sulcos profundos
Minhas entranhas, peculiar aos estranhos
Que me conhecem há anos.
Incapazes de admitir
Que tamanha destreza para distrair tanta tristeza
Sempre esteve aqui.

Sérgio Loureiro

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