tribalismo rodentia

o rato revigorado de energia
rogou a prece
proferida à romaria
o da profecia que regresse
ídolo mitológico que promete
um reinado de justiça que começa
o rato relembrou o rápido lapso de alegria
rasa maré vazia
falsa lembrança luminosa de um dia
que, como tudo, padece
o rato messias
relapso da democracia
acaso da sua própria existência
revogou a resistência
resiliência chora de dor
reinado perene de rigor
rato que envelhece é rei dos bichos
quem não se esquece, adoece
o rato se reveste de roupa túnica
roubou a riqueza
fartura única
só da real rata família
enquanto outros ratos roem o poder
o rato rompeu o rei de Roma
o rato é rei!
rei do povo!
rei de todos!
rei da tribo rodentia
porque tribalistas fomos um dia
e jamais deixamos a rataria
mas é assim
o rio da história é caudaloso
arrasta as ribanceiras que o margeiam
derruba barreiras
dá rasteira, mas levanta
roda vida
roda-gigante
no país do carnaval
chama pessoal pra ver filhos Gandhi
o rato é rei
mas não é todo dia
somos ratoeira
capoeira da Bahia
a guarda negra da redentora
recantando a canção
“as camélias da segunda abolição virão”

Sérgio Loureiro

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