A quinta estrela que brilhava ofuscou o olhar perdido dos meus lábios ao seu queixo. A aprazível sensação de disfarce me pôs à espreita do meu incólume vestígio de conduta juvenil. À sua sombra, circundei o que para mim era a mais entusiasmante jornada heroica já vivida: as suas curvas. Um pássaro, voando em rasante a contemplar a primazia dos seus traços, avisara de sua natureza fértil que agora escorre entre meus dedos. Empossado de seu emanado pertencimento próprio, não ousei colonizador, mas desbravei cada terreno a mim permitido. Suas linhas imaginárias delineavam o prazer e determinavam teor ao libidinoso ato de assentamento. Demarcavam a tênue divisão entre o desejo implacável e a loucura inconstante. (Que são ser se perde em queixos, afinal? Mesmo os seus, assemelhados ao eixo orbital). Fascinado, era um besta às vistas. Quando dei por mim, ainda estava em sua penumbra. Velejando sem os teus sopros. Impelido pelos meus sentimentos à flor da sua pele, naveguei-me à impulsão. Guiado pelos seus horizontes, estava certo de que não foram ventos errantes que me trouxeram até suas especiarias. Trilhando-te com os olhos, tracei um mapa para o descobrimento. Afim de que notasses-me, sucumbi. Era farol, em ostracismo, margeado de sua vastidão, sinalizando-me por atenção. Ávido, roguei: decifra meus intuitos gentis, faz de mim senhor de tua senhoria. Todas ilhas têm um fim.
Sérgio Loureiro