E se, vez ou outra, eu duvidar? Do cosmos, dos nexos, dos códigos, dos céticos. Duvidar de Deus e tudo mais. Vão dizer “que loucura, esse ser em cheque”. Em tempos que ninguém mais aceita, eu sigo sendo, à sensação do sentir e não mais sentir. Ser? Não ser? De que me importa, se negando me afirmo e assumindo, sou, de qualquer forma, até tentando evitá-la?
Vou duvidar de tudo, menos de ti. Dessa retumbante força espontânea que tu emana e desperta em mim. Dessa loucura, que é incontestável. Está aqui e reverbera em cada vértebra. Ecoa, assovia, partilha e penetra meu âmago infinito. Raso, de tão infinito. Tu foste a luz que me fez enxergar meus olhos. Foste o escuro quando tudo doía. Sabias exatamente o que ser, sem duvidar ou mesmo temer.
Esse encontro, esse acaso. Prefiro chamá-lo de poesia, do que de coincidência. Essa não. Insustentável aos meus questionamentos. Já a poesia que se escreve em nossas entrelinhas, essa sim permanece perene ao caudaloso rio da vida.
É tu, sou eu, somos nós. E se “existe alguém em nós, em muito, dentre nós, esse alguém brilha mais do que milhões de sóis. E a escuridão conhece também”.
Sérgio Loureiro