tricô de laços eternos

Ainda que possa, enfim, ser minha
ainda assim, toda todinha
sendo bala na agulha, agulha na linha
letra na mão, pele clarinha
mãos que costuram nosso destino concreto
tricô de laços eternos
em teu manejo, nem mesmo o futuro é totalmente incerto
e toda profecia é auto cumprida
chamei a ti de vida
me pus diante da morte
fiz de ti a minha sorte
chamaste a mim, então, menino
e ainda assim, deste-me o destino
impôs uma clareza fria que não assustava
mas tampouco me consolava
e numa noite arredia serena
amarraste-me à minha vida pequena
me fizeste de verbo e eu, sujeito sem jeito
no reflexo do pretérito perfeito
vi o porvir
virá, ainda assim, no vento
tempo, tempo, tempo.

Sérgio Loureiro

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