uma senhora terra

eu precisei cruzar os limites do desconhecido e chegar ao fim do mundo para ver que a ti sempre pertenci. nenhum chão apalpou meus pés como suas terras tenras e férteis abraçaram meus passos. terras antigas cujos pés ancestrais fundaram minha atual compreensão de existência e desígnio. quis querer, quis ser, quando já tinha o que se era necessário para ser. cresci os galhos para onde não devia e sentir me consumiria. e por vir de lá ainda sementino, piso nesse chão devagarinho. meus pés, aqui, têm a súbita certeza de saberem o caminho. caminho no qual ergo o olhar ao redor e contemplo sua forma de se afirmar uma senhora de costumes sempre modernos e impor respeito ao progressismo renitente. jamais ostracismo, mas arredia em seus arredores resplandecidos pelos sagrados mares africanos. ninguém se conhece tanto. abençoada por todos os santos, banhada por todos os cantos. suas raízes me foram a força emanando coragem durante toda a viagem. goza de profunda loucura desvairada, aquela que não é orgulho nenhum admitir – pois até mesmo essas existem e são deleites em mesas de bares -, aquele que ao olhar para ti não se viu. sou tu antes mesmo de ser eu. tudo, tudo, em ti faz a gente querer bem. a bahia tem um jeito.

sérgio loureiro

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