hoje te sonhei – como há muito não o fazia. talvez meu inconsciente tenha esse sabor fantasia. sei que procurei em cada um dos teus gestos, aqueles que carregam teu selo genuíno, a certeza de que era um sonho lindo. e que poderia sonhar com um amor que não se acaba, nem se desperta. vive em rem, profundo e tranquilo. repousa em mim, sobrevoa além do que posso ver. talvez minha fantasia tenha gosto de vividez. encontrei áudios perdidos e um cartão postal de novela. há tantas partes deixadas que são rastros de um lugar que vivi que fica fácil caminhar de volta pra ti. todos pedaços inteiros que somei hoje são montanhas sobre o mar. sonhei com aquele mar que junta o rio à baía. talvez você seja essa mistura muito tua e muito minha, meio vastidão e calmaria, translúcida esbanjando lucidez. ver a tua beleza é uma memória-polaroid que carrego na carteira. ao lado do recibo e do trocado: um documento sentimento de papel amassado.
e caso se vá logo após o café, fique tranquila: levo o cheiro de ontem na gola da minha camisa.
eu gosto é da firula.
Sergio Loureiro