por que todos nós caímos na inocência
em fantasiar algo tão certo, tão bom
tão vívido daquilo que buscamos, irremediavelmente
repleto dos reflexos de quem somos
algo tão cheio de nós que nosostros?
porque teimas, tão irritadamente
em ver a verdade via o véu das emoções
mesmo estando diante, prostrada
crente deste irreal retrato do absurdo
fenômeno raro e obtuso
um irretrato reto e intransigente
do trato que se dá ao acuso
do curso, sem pulso
mudo, surdo do sentido de gente.
oh, senhor de todos os sonhos não vividos
os do turno da manhã, sonâmbulo adormecido
que no ventre da anciã, proferido. preâmbulo
fez-se a soma divina
fez-se a luz e a cortina
o eco das risadas, ceias matinas
onde parte-se o pão e cede-se a carne
sangue escorre em cálices
fim ao seios maternos.
por que caímos no conto do amor perpétuo
se nada que façamos será eterno?
em que conta contam os corpos que pagaram o preço do divino?
em nome de quem se dará este menino?
filho de vários, irmão de todos
virgem sou eu, bem como outros.
se eu não tivesse nada.
nem perto, nem cortante
nem espécie, nem montante
nem troco e nem choro
diria que te amo, mas isso é um aDeus.
porque te quero e tua presença me leva ao supremo
gosto do teu jeito de me fazer sair da cama
e do teu dom de me desacordar
aos sentidos, uma mensagem na caixa postal
sintam se em casa eu não estiver.
Sérgio Loureiro