anarquia do talvez

há de haver algum sentido nisso tudo, ou então o que virá depois? falo sobre a vida, sobre mim e sobre tu e sobre esse passarinho que acabou de passar e tudo mais que é e reivindica para si a sua existência corpórea, material, física e tangível. reclamo ao concreto o sabor de sua rebeldia, a fantástica fábrica de operários felizes e revolucionários. cansados de serem o que são, não almejam patrão. eu particularmente não quero dinheiro, não quero paz, não quero sequer querer. querer o ser e talvez nem mesmo isso. quero ser legado do meu destino e infortúnio do meu fracasso. essa noite nada me basta, sentido ou mesmo depois. talvez o dia não amanheça e a lua é o que me resta. quero o que restou e o que não chegou a ser – ficou restrito à sensibilidade dos olhos que não veem, sentem. talvez vou virar foguete, meu destino é partir. no fim não há nada. talvez, uma arte.

sérgio loureiro

essa é uma obra inacabada dedicada a todxs que não se enganaram o suficiente para estarem prontos.

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