estou nu
e todos pensamentos me parecem bem-vindos
aberto como um ventre
filtro da vida
linha de cerol que passa rente
ao fio que passa ruivo
ao diferente
amigo canino
que rasga-me ao dente
ao pelo, ao couro, ao risco tangente
à noite, ao coito, a semente
ao que me torna gente
ao outro, ao ego, ao ente
ao passo que faço comum, de repente
o laço, o abraço, o flato descrente
da intimidade criada inocente
ao choro da lágrima
palhaço novamente
a tu, ao teu
afago imponente
que me renova de força
pede-me que tente
tirar
as roupas
as armas
os medos
os sonhos
os outros
e ser
tão somente.
sérgio loureiro