Vida que cai em mim, aquariana divina com lua em touro. Não lembro exatamente quando passei a me valer de leituras do destino. Sinto que sempre fui aguçada nos meus sentidos. Hoje o olhar de fora de uma lágrima vertente me visitou, e ele me trazia lembranças de uma estrela cadente – como pode a beleza que tange o tensionamento do acaso e rompe todas as certezas mais incríveis ser tão semelhante?
Esta tarde, não pedalei. O cansaço da disposição só não me tira o juízo. Este se põe em labuta operária de construção moral e civil. Por sorte, venho andando em muitas conduções coletivas e transportes públicos. Tenho lido muitos jornais e minha visão está cada vez melhor. Agora alcanço o horóscopo, e a charge de hoje é uma criança usando a folha do dia como fralda. “Você acha que eu nasci ontem?”. Ri.
Durmo melhor à noite quando debruço nas culpas e o sono transmuta-me para o ideal ilusório, onde os valores e o real dividem prateleira com o sentir ortodoxo. Desperto ao que os olhos fechados são capazes de ver. Encontro a paz quando me esforço a entender as minhas culpas, e em meus sonhos há o perdão habitando um mundo onde todos se preocupam com as dores do devir.
E se eu olhar pela janela e perceber que respiro o mesmo ar que o resto do mundo? Será que eu percebo? Nunca sei se me desespero ou me tranquilizo. Atormenta(dor) querer entender demais. Nos sonhos costumo ter respostas para as dualidades. De olhos fechados enxergo mais.
Me sinto uma folha em branco mas que foi carimbada pelas pautas da sociedade. Agora quero apagar as pautas, voltar ao vazio. Dizem que do vazio tudo nasce, e eu estou afim de nascer de novo.
Em uma nova página. De um diário que chamo calendário.
Cami & Sérgio Loureiro