fogo fogueira

fogo fogueira. vida e morte. luz que encandeia e cega tudo ao redor. belo é o que se vê. e só. a representação da morte que, se esvaindo, definha-se em estalos. queima. aquece. acalenta. não quero pensar em fim como um processo físico/químico que se desenrola independente de forças próprias de vontade, planos ou mero desespero. quero pensar em fim como um caminho. como quem dá boas vindas pelo espelho. como quem se despede o tempo inteiro. ou simplesmente como quem se confunde entre começos e recomeços intermináveis de única certeza eterna: o fim. quero viver como a música que, em mim, agora ressoa sonora e tranquila. quero ser galho, tronco e graveto. há vida em viver assim. a vida, que ávida em ver de perto, avisa que verde é a cor da chama que arde e não queima. há verdades vívidas em quem pula fogueiras cotidianamente, pois estes têm brasa nos pés e calma na mente.

Sérgio Loureiro

Deixe um comentário